O que vivemos no eclipse
O dia 12 de agosto de 2026 chegou — e valeu cada expectativa. Acompanhamos o eclipse solar em dois pontos diferentes de Portugal: em Lisboa, do miradouro de um prédio na zona das Amoreiras, e no Porto, através da nossa parceira fotógrafa Elizangela Soares (@im.elizangela), que registrou o momento da ocultação.

No Porto, a ocultação chegou a 98%. Já em Lisboa, com 95% de ocultação, o Sol não desapareceu por completo — mas o efeito foi impressionante mesmo assim. A luz do dia diminuiu visivelmente e ganhou um tom dourado diferente de qualquer entardecer, sem escurecer como aconteceria numa totalidade. O céu estava completamente limpo, e a temperatura caiu um pouco — ficou mais fresco, sem chegar a ser frio.
Antes de subir ao miradouro, ainda nas ruas, já dava para ver as pessoas parando para observar o fenômeno. Muitas já estavam preparadas com os óculos apropriados para eclipse, e várias famílias acompanhavam também das próprias varandas dos prédios ao redor — um momento coletivo bonito de testemunhar. Para as crianças, é um momento que ficará na memória para sempre.

Um dos pontos mais interessantes foi a distribuição dos óculos apropriados, feita em parceria entre óticas e o governo mediante cadastro no site oficial. Mas quem deixou para procurar de última hora teve dificuldade em encontrar, devido à grande demanda.

Absolutamente vale a pena ver um eclipse solar. Vivemos isso na pele em Lisboa e no Porto, e a experiência foi realmente marcante — o escurecimento gradual da luz, a queda de temperatura, a coroa solar visível nas zonas de maior ocultação e o momento coletivo de ver ruas e varandas cheias de gente observando o céu juntas são coisas que ficam na memória.
Se você não teve a oportunidade de acompanhar o eclipse de agosto de 2026 e tem vontade de ver um, já existe uma nova data: no dia 2 de agosto de 2027, o eclipse solar total mais longo visível a partir de terra firme neste século vai atravessar o sul da Espanha, o norte de África e o Médio Oriente. Vale a pena começar a planejar com antecedência — assim como fazem os caçadores de eclipses.
No dia 12 de agosto de 2026, Portugal viveu um dos fenômenos astronômicos mais impressionantes da natureza: um eclipse solar. O evento foi histórico para o país — o norte de Portugal, em especial Bragança, esteve na zona de totalidade, onde o Sol ficou completamente encoberto pela Lua por alguns minutos. No resto do território continental — Lisboa, Porto, Coimbra, Évora e Faro —, a cobertura chegou a impressionantes 92% a 99%, tornando o eclipse visível e espetacular em praticamente todo o país.
Abaixo, mantemos o guia original que publicamos antes do eclipse, com os tipos de eclipse, onde foi possível vê-lo, os horários e como as pessoas se prepararam para observar com segurança.
O que é um eclipse solar?
Um eclipse solar acontece quando a Lua se posiciona entre a Terra e o Sol, bloqueando total ou parcialmente a luz solar. Para que isso ocorra, é necessário que os três astros estejam perfeitamente alinhados — um evento que, dependendo da localização, pode acontecer apenas uma vez a cada várias décadas.
Existem três tipos de eclipse solar:
- Eclipse total: A Lua cobre completamente o disco solar. O céu escurece como se fosse noite, as estrelas aparecem e é possível ver a coroa solar — a atmosfera exterior do Sol — a olho nu. É o tipo mais raro e espetacular.
- Eclipse parcial: A Lua cobre apenas uma parte do Sol. A luz do dia fica visivelmente mais fraca e o Sol ganha um aspecto de "meia-lua".
- Eclipse anular: A Lua está mais distante da Terra e não cobre completamente o Sol, deixando um anel de fogo visível ao redor.
O eclipse de agosto de 2026 foi total para quem esteve no caminho da totalidade — e parcial, mas extremamente profundo, para o resto de Portugal.
O eclipse de 12 de agosto de 2026
O eclipse de 2026 foi um dos mais aguardados da década na Europa. O caminho da totalidade atravessou a Península Ibérica de norte a sul, passando por Espanha e pelo norte de Portugal — uma oportunidade rara que atraiu astrônomos, fotógrafos e curiosos de todo o mundo.
Para Portugal, foi um evento de dimensão histórica: a última vez que um eclipse total havia sido visível em território português remonta a décadas, e o próximo que oferecerá condições semelhantes não acontecerá tão cedo.
Onde foi possível ver o eclipse em Portugal
A localização fez toda a diferença na qualidade da experiência. Veja o que aconteceu em cada região:
Bragança — eclipse total (100%)
O Parque Natural de Montesinho, em Bragança, foi o destino mais especial de Portugal para o eclipse. Esta região esteve dentro do caminho da totalidade, o que significa que o Sol ficou completamente encoberto pela Lua por alguns minutos. Nesse momento, o céu escureceu, as estrelas apareceram, e foi possível ver a coroa solar.
Portugal continental — eclipse parcial profundo (92% a 99%)
Para quem ficou nas grandes cidades — Lisboa, Porto, Coimbra, Évora, Faro — o eclipse foi parcial, mas impressionante. Com coberturas entre 92% e 99%, a luz do dia ficou visivelmente mais fraca, as temperaturas baixaram levemente e o ambiente ganhou uma luz dourada e irreal, difícil de traduzir em palavras.
Açores e Madeira — eclipse parcial (74% a 77%)
Nos arquipélagos, a cobertura solar foi menor, entre 74% e 77%. Ainda assim, tratou-se de um eclipse parcial significativo, digno de observação com os equipamentos adequados.
Horários do eclipse
Os horários variaram consoante a localização, mas a sequência geral para Portugal continental foi a seguinte:
| Fase | Horário (aprox.) |
|---|---|
| Início do eclipse (primeiro contacto) | 18h30 – 18h40 |
| Máximo do eclipse | 19h30 – 19h38 |
| Fim do eclipse (último contacto) | 20h24 – 20h31 |
Como observar com segurança
Este é o ponto mais importante: nunca olhe diretamente para o sol sem proteção adequada, mesmo durante um eclipse parcial. Os raios solares podem causar danos graves e permanentes na retina, levando à perda parcial ou total da visão.
O que não se deve usar:
- ❌ Óculos de sol comuns (mesmo os escuros)
- ❌ Radiografias ou filmes fotográficos
- ❌ Telescópio ou binóculos sem filtro solar certificado
O que se deve usar:
- ✅ Óculos de eclipse certificados (norma ISO 12312-2)
- ✅ Telescópio ou binóculos com filtro solar certificado
- ✅ Projeção indireta (método da pinhole/caixa de projeção)
Óculos de eclipse gratuitos em Portugal
Uma das melhores notícias para quem observou o eclipse em Portugal: o programa oficial eclipse2026.pt — organizado pela Agência Espacial Portuguesa, Ciência Viva e parceiros — distribuiu óculos de eclipse gratuitos através da rede de óticas ZEISS (Club da Visão), com mais de 600 lojas participantes em todo o país.
Dicas práticas para quem foi ver o eclipse
Chegar cedo ao local escolhido. A afluência de pessoas foi grande, especialmente em Bragança e no norte de Portugal.
Verificar o tempo com antecedência. Céu encoberto poderia comprometer completamente a observação.
Levar equipamento de fotografia. Um smartphone com boa câmera consegue capturar o eclipse com os óculos certificados colocados na frente da lente. Para resultados profissionais, filtros solares específicos para câmeras fizeram a diferença.
Para mais informações sobre o eclipse de 2026, mapas interativos e detalhes do evento, acesse o site oficial: eclipse2026.pt
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